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Riscos e Oportunidades para Empresas ESG no Apoio a Projetos Sociais: Como Evitar o Socialwashing e Maximizar Valor para a Sociedade e para os Negócios

Foto do escritor: Claudio Silva de Sousa
Claudio Silva de Sousa
1 de jul.
3 min de leitura

As principais organizações nacionais e internacionais vem buscando cada vez mais,  iniciativas sociais em busca de adquirir maturidade com relação aos objetivos de desenvolvimento sustentável.


Neste sentido, investidores, consumidores, instituições financeiras e demais stakeholders devem ativar seus radares para identificar evidências concretas de responsabilidade socioambiental, mitigando os riscos inerentes aos projetos e potencializando as oportunidades de melhorar seus indicadores e ao mesmo tempo, trazendo melhorias reais para as partes envolvidas nos projetos selecionados para investirem.


Assim, dentro do pilar Social (S) ESG, os investimentos em projetos sociais ganharam grande relevância. Empresas patrocinam iniciativas nas áreas de educação, esporte, cultura, saúde, inclusão social, geração de renda e preservação ambiental buscando contribuir para o desenvolvimento das comunidades onde atuam.


Entretanto, com o crescimento dessas naturezas de  investimentos aumenta-se também a probabilidade da empresa se expor a situações indesejadas que podem marcar negativamente a sua reputação.


Casos com potencial de envolvimento em projetos sem transparência, conflitos de interesse, baixa efetividade ou uso meramente promocional passaram a comprometer a imagem das organizações patrocinadoras e devem ser evitados pois, como ocorre com o Greenwashing na agenda ambiental, o Socialwashing cria uma falsa percepção de responsabilidade social e, apoiar um projeto social exige muita seriedade e o mesmo nível de diligência aplicado à seleção de fornecedores, parceiros estratégicos ou investimentos financeiros potencializando a confiança dos stakeholders garantindo  ausência de quaisquer perdas reputacionais significativas que tais ações podem propiciar.

 

Para alcançar um nível melhor de maturidade, posso listar alguns casos onde as ações merecem um pouco mais de atenção antes de qualquer decisão:


·       Analisar a viabilidade quando os investimentos possuem apenas o caráter exclusivamente promocional;

·       Quando a parte interessada não possui capacidade de medir e monitorar indicadores de impacto social;

·       Quando o projeto atende apenas interesses de marketing;

·       Na suspeita de ausência de transparência sobre recursos investidos;

·       Quando existir hipóteses dos beneficiários serem utilizados apenas para campanhas publicitárias;

·       Quando as empresas divulgam impactos sociais não comprovados;

·       Organizações apoiadas apresentam condutas incompatíveis com valores éticos.


Os cenários listados expõe claramente que os  riscos mais conhecidos de um projeto social estão associados a pessoas e/ou organizações e podem ser entendidos como aqueles relacionados a corrupção, fraudes, desvio de recursos, discriminação, assédio, trabalho infantil e, exploração de mão de obra, crimes ambientais, conflitos políticos.


Cabe como desafio, identificar outros riscos normalmente ocultos e que poderão estar relacionados a ausência de governança e, consequentemente, implicar em ausência de prestação na contas ou utilização inadequada dos recursos.


Neste sentido, a busca de  um duediligence mais efetivo pode salvaguardar a empresa patrocinadora a não cair em armadilhas do socialwhashing e, muito mais, possibilitar obter a posição de referência no sucesso dos projetos em que se decisa investir.


É fato que as empresas que demonstram compromisso genuíno com o desenvolvimento social tendem a conquistar maior confiança junto a consumidores, investidores e comunidades.


Para ilustrar os alertas que quero deixar aqui neste post, imagine que uma grande empresa resolva patrocinar uma projeto social que prepara uma equipe de atletas nadadores em mar aberto, que participam de campeonatos nacionais e internacionais. À primeira vista, trata-se de um excelente investimento em ESG. Entretanto, a empresa investidora pode estar assumindo riscos indiretos importantes. Seja por exemplo, caso ocorra um acidente grave durante treinamentos, competições ou deslocamentos por alguma falha que envolva os processos da instituição beneficiada, a imagem da empresa poderá ser diretamente associada ao evento.


Portanto, novamente aqui reforço que, antes da assinatura de qualquer documento e de assumir a responsabilidade por um projeto, recomenda-se a realização de um Duediligence que possa identificar que as ações de mitigação de riscos possam ser tomadas com segurança, antes de qualquer benefício a ser liberado para a parte interessada. 


Neste caso citado, outros aspectos importantes como qualificação dos treinadores; certificações, experiência da equipe, protocolos operacionais, planos de atendimento a emergências, existência de  comunicação via rádio, se existe monitoramento meteorológico, salva-vidas certificados, equipamentos de salvatagem, seguro dos atletas, avaliação médica periódica dos atletas, dentre protocolos para hipotermia, insolação, fauna marinha e correntes de retorno por exemplo. 


Concluindo, está claro que a atuação social empresarial mudou de status deixando de ser apenas uma iniciativa filantrópica, para tornar-se parte integrante da estratégia ESG das organizações. Contudo, apoiar projetos sociais exige responsabilidade proporcional à visibilidade que essas iniciativas proporcionam.


Empresas que adotam processos estruturados de seleção, due diligence, monitoramento e avaliação de impacto reduzem significativamente seus riscos reputacionais e ampliam os benefícios gerados para todos os stakeholders.


Mais do que evitar o Socialwashing, essas organizações fortalecem sua credibilidade, constroem relacionamentos duradouros com as comunidades e demonstram que responsabilidade social não se mede pelo valor investido, mas pela transformação efetivamente promovida.


Nesse contexto, o investimento social responsável deve ser entendido como uma ferramenta estratégica de geração de valor compartilhado, capaz de produzir benefícios sociais mensuráveis, fortalecer a reputação corporativa e contribuir para o desenvolvimento sustentável de longo prazo.

 


 
 
 

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